Cultura

Literatura aborda futuro da humanidade com vida sem corpo

Poder fazer um discurso no próprio funeral a partir de um holograma. Este serviço já existe e é prestado pela empresa holandesa Here we Holo. Recentemente, a sul-coreana Vive Studios utilizou inteligência artificial para proporcionar a despedida de uma mãe com sua filha morta. E um canadense usou a tecnologia para simular trocas de mensagens com a noiva, falecida há oito anos. Qual será o próximo passo?

Para o escritor everardobr, os processos tecnológicos vão avançar sobre a corrida em busca da imortalidade. A tese é apresentada no livro e-Código: como a tecnologia nos levará sem corpo para a vida sem fim, segundo o qual o corpo humano irá sucumbir e as pessoas viverão em uma espécie de exílio virtual, de forma livre e autônoma.

“A verdade é que nada que a ciência faça com o corpo vai resolver o problema de nossa fragilidade orgânica. Nem manipulação genética, nem o recurso mais sofisticado da biotecnologia. Nem cirurgia robótica, nem exame automatizado. Nem nanotecnologia. Todos esses avanços fantásticos são maravilhas que merecem nosso aplauso mais entusiasmado. Mas nada é suficiente para vencer de vez a fragilidade de nosso componente orgânico”, atesta.

Na obra, o autor reúne e analisa, de forma inédita, mais de 70 leis sobre a relação entre ciência e tecnologia. Ou, melhor, sobre a autonomia da tecnologia diante da ciência, que permitirá a migração humana para o ambiente virtual, um processo em etapas, e já iniciado. Longe de fantasiar ou imaginar o futuro, Everardo afirma que se trata de um trabalho de interpretação de dados e de análise da natureza das soluções brindadas pelos campos de aplicação da alta tecnologia.

Com ilustrações e excelente qualidade gráfica, e-Código é uma leitura de 336 páginas voltada aos profissionais da ciência, tecnologia, especialmente biotecnologia, filosofia, história, medicina e outras áreas de saúde. Mas, também, irá atrair interessados por ficção científica, nerds, gamers e geeks, ainda que categorizado como não-ficção. A escrita envolvente e sagaz do autor, professor de texto e com vários livros na área de redação, garante uma leitura fluida diante da complexidade excêntrica e aliciante do tema.

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