Coluna

“A Mulher de Roxo e Outras Histórias da Bahia” estende temporada até maio

Escrita e dirigida pelo professor, psicólogo e diretor de teatro Adson Brito do Velho, a peça “A Mulher de Roxo e Outras Histórias da Bahia” sobe ao palco do Espaço Cultural Casa 14, no Pelourinho, às 19h30 dos dias 30 de abril e 07 e 14 de maio (sábados), tendo como personagens a Mulher de Roxo, Irmã Dulce, Clarindo Silva, Floripes, Amilton, o tratorista e João Estanislau da Silva Lisboa. Durante o espetáculo, enquanto personagens entram e saem de cena, passagens das suas vidas são entrecortadas e narradas por Carlos Pronzato (cineasta argentino), Aline Nepomuceno (atriz), Léo Kret do Brasil (dançarina trans), Liana Cardoso (apresentadora de rádio e Tv) e Cláudio Sacramento (radialista da Metrópole FM).

A montagem estreou em janeiro de 2022, e teve grande sucesso de público. Volta agora em nova temporada sempre com o propósito de “fazer um resgate das nossas personalidades e lendas urbanas, e despertar e um novo olhar de pertencimento, pela nossa rica historiografia baiana”, como afirma o criador Adson Brito do Velho.

Saiba mais sobre os personagens :

A Mulher de Roxo

Uma das mais conhecidas e intrigantes lendas urbanas da cidade de Salvador, a Mulher de Roxo andava pela Rua Chile, centro comercial de Salvador, ficando quase sempre na porta da antiga Loja Sloper, pedindo dinheiro aos transeuntes. Vestida de roxo, lembrando o hábito de uma freira, com um crucifixo pendurado no pescoço, despertava os mais variados tipos de sentimentos nas pessoas. Curiosidade, espanto, compaixão e principalmente medo…

São várias as versões, sobre o porquê da Mulher de Roxo viver nas ruas. Dizem que ela  presenciou o pai assassinar a mãe, que sofreu uma desilusão amorosa, que foi abandonada no altar no dia do casamento, que era mulher de muitas posses e perdeu tudo. Envolta em mistérios, pouco se sabe sobre a Mulher de Roxo, que nasceu em Salvador, no ano de 1917 e morreu em 1997, aos 80 anos, sendo sepultada como indigente.

Interpretada pela atriz Rowena Ferri a Mulher de Roxo continua um mistério. Até o seu verdadeiro nome é controverso. Uns dizem que se chamava Florinda, outros, Doralice. E há quem afirme que se chamava Nair ou Sandra. Em cena há uma leitura dramática de parte de uma entrevista, concedida por Ivone Maria do Carmo que conviveu com a Mulher de Roxo, que era inquilina do seu pai.

O quadro da Mulher de Roxo tem sido o mais esperado e comentado entre as pessoas que assistem a peça, e faz, inclusive, muito sucesso entre as crianças. O quadro é narrado por Aline Nepomuceno, atriz que interpretou Dandara, a namorada do personagem de Lázaro Ramos, na série global Ó Paí, Ó.

Floripes, a primeira travesti assumida de Salvador

Pobre negro e homossexual, Benedito Mato entrou para a história da cidade, como Floripes, considerada como a primeira travesti assumida de Salvador. Nos anos 60, 70 e 80 Floripes enfrentou toda uma sociedade machista da época, lutando e resistindo, para ocupar os espaços de visibilidade social.

A travesti vivia pela Baixa dos Sapateiros, Rua Chile, Barroquinha, Ladeira da Montanha, Feira de São Joaquim, nas missas e terreiros de candomblé da cidade. Quando passava pelo centro da cidade, Floripes literalmente parava o trânsito, e aos transeuntes faziam uma verdadeira festa, hoje, uma lacração. Alguns gritavam, “Floripes, viado!!!”, mas ela não ligava e saia rebolando e sempre dizia, “só se vê, na Bahia!!!”.

Era uma figura solar, animada e era conhecida como “a alegria da cidade”. Trabalhava fazendo faxinas, lavando roupas, e como cozinheira no Mercado São Miguel, na Baixa dos Sapateiros. No dia 3 de julho de 1984 Floripes foi brincar com um biscateiro que comia em uma marmita, pegando um pedaço do alimento, e recebeu um violento soco, batendo a cabeça, morrendo em consequência de um traumatismo craniano. O assassino, na época, confessou sobre a motivação de ter matado a travesti: “Não tinha nada contra ele, mas a alegria dele, me incomodava”.

Floripes, morta de forma brutal e covarde, só por que era feliz.

Floripes é interpretada pelo ator e modelo Regis Spiner. A cena é narrada por Léo Kret do Brasil, dançarina trans, representante de parte do segmento LGBT baiano.

Amilton, o tratorista

A comovente história de Amilton dos Santos, o tratorista que, em um ato de coragem, humanidade e justiça social, desafiou a Justiça, recusando-se a derrubar casas na Palestina, bairro periférico de Salvador. O fato ocorreu em 2 de maio de 2003, ganhando visibilidade nacional (principais jornais e revistas do país). O tratorista foi entrevistado em programas como Fantástico, Caldeirão do Hulk e Programa do Gugu.  A história, que até hoje emociona os brasileiros, foi tema do primeiro capítulo na novela global, “América”, de Glória Perez. Amilton dos Santos foi homenageado também, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Amilton, o tratorista, é interpretado pelo ator Admilson Vieira. A cena é narrada por Carlos Pronzato, ativista social e cineasta argentino, com mais de 70 documentários no currículo, como A Revolta do Buzu, Mestre Moa do Katendê, A Greve Geral de 1917, dentre outros.

Clarindo Silva

Grande nome na defesa da preservação do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, Clarindo Silva, sai de Conceição de Almeida (BA) e chega a Salvador aos 12 anos para trabalhar com empregado doméstico. Passou por todo tipo de preconceito, inclusive por ser pobre e negro, mas conseguiu visibilidade nacional, tornando-se um patrimônio da nossa Bahia.

Clarindo é conhecido por sua gentileza e generosidade, também é conhecido como o Rei do Pelourinho, O Dom Quixote Baiano, o Príncipe Negro do Pelô, dentre outros títulos. Escreveu durante muitos anos para os jornais A Tarde, Jornal da Bahia e Tribuna da Bahia. Está a frente há mais de 50 anos da tradicional Cantina da Lua, um centro de resistência da nossa cidade, e a partir daí, ganhou o título de Doutor Honoris Causa, pela Université Libre des Sciences de L’Homme de Paris.

Clarindo Silva é interpretado pelo ator Admilson Vieira.

João Estanislau da Silva Lisboa

O crime da “bala de ouro”, ocorrido em 1847, nos dias de hoje, seria classificado como feminicídio. O fato envolveu a jovem Júlia Fetal e o professor João Estanislau, que dominado pelo ciúmes, não aceitando o término do noivado, mandou confeccionar, com as alianças do próprio noivado, uma bala de “ouro”, matando a jovem de 22 anos.

Na montagem, há a passagem do encontro de João Estanislau com o Imperador D. Pedro II, que ofereceu o indulto (perdão) ao professor, que recusou, preferindo cumprir toda a pena no Forte do Barbalho, em Salvador

João Estanislau é interpretado pelo ator Alexandro Beltrão. A cena é narrada por Liana Cardoso, radialista e apresentadora de TV.

Irmã Dulce

As cenas narram passagens da vida do “Anjo Bom da Bahia”, que após a comprovação de dois milagres, foi canonizada e pelo Vaticano, como Santa Dulce dos Pobres. Em uma das passagens da santa baiana, é retratado o milagre e cura de João Maurício que voltou a enxergar, depois de 14 anos completamente cego, após uma oração fervorosa para Irmã Dulce. A peça mostra a trajetória de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, que desde jovem decidiu acolher e dedicar-se a cuidar de moradores, que viviam em situação de vulnerabilidade social (crianças, idosos, doentes…).

Irmã Dulce é interpretada pela atriz e professora Sofia Bonfim. As cenas são narradas por Cláudio Sacramento, radialista da Metrópole FM, da Bahia.

Serviço

“A Mulher de Roxo e Outras Histórias da Bahia”

Datas: 30 de abril e 07 e 14 de maio (sábados)

Horário: 19h30

Local Espaço Cultural Casa 14 – Rua Frei Vicente, 14, Pelourinho

Vendas  no local, nos dias das apresentações, reservas pelo (71) 98631 3242 ou pelo Sympla – https://www.sympla.com.br/a-mulher-de-roxo-e-outras-historias-da-bahia__1545073

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